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Leiturista, bombeira e produtora rural contam um pouco de suas histórias ao G1 — Foto: Energisa/Cedidas
Leiturista, bombeira e produtora rural contam um pouco de suas histórias ao G1 — Foto: Energisa/Cedidas

O tempo de se escutar que “lugar de mulher é na cozinha” ou que “mulher é o sexo frágil” já passou. Diariamente, em todos os lugares e ambientes, as mulheres têm provado que são capazes de tudo.

No mercado de trabalho, por exemplo, tem sido cada vez mais crescente e encorajada a presença das mulheres em profissões que antes eram atribuídas, em sua maioria, aos homens.

Na raça e na coragem, elas executam suas funções com maestria, comprovando que o Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo, 8 de março, é totalmente merecido, com muitos exemplos a serem seguidos.

Sara atua como leiturista em Presidente Prudente — Foto: Arquivo/Energisa

Sara atua como leiturista em Presidente Prudente — Foto: Arquivo/Energisa

Leiturista

Desempregada, Sara Paula Ribeiro da Cruz, de 30 anos, foi até uma agência para retirar a segunda via de sua conta de energia elétrica. Lá, questionou uma funcionária a respeito de vagas de trabalho e soube que o local estava com oportunidade disponível para o cargo de leiturista.

“Eu não sei o que se faz neste trabalho, mas vou deixar um currículo”, disse Sara. Pouco tempo depois, estava contratada e exercendo a função.

Quando iniciou no cargo, foi um pouco difícil, pois somente homens atuavam na área em Presidente Prudente (SP).

“Para os meninos me aceitarem, foi um pouco difícil, principalmente por ser um trabalho onde a maioria é homem que atua. Foi um pouco estranho até acostumarem, mas, com jeitinho, fui conquistando a amizade e o respeito de todos. Para eles também foi uma surpresa, pois não estavam habituados a ver uma mulher exercendo a profissão”, contou Sara ao G1.

Sara atua como leiturista em Presidente Prudente — Foto: Arquivo/Energisa

Sara atua como leiturista em Presidente Prudente — Foto: Arquivo/Energisa

Se antes ela não conhecia a função de leiturista, aquele que é encarregado de ler as marcações de consumo de água, gás e luz nas residências e nos imóveis dos consumidores, hoje ela é apaixonada pelo que faz, principalmente, pelo reconhecimento da empresa pela qual atua e da população.

“Muita gente, quando me vê atuando, comenta: ‘Você é a única mulher que vejo fazendo esse trabalho’. Sempre que vou em bairros novos as pessoas me parabenizam, dizendo que estão sempre acostumadas com homens atuando na área. É realmente uma surpresa para todos”, expõe a leiturista.

Mãe de dois filhos, um deles veio quando Sara já estava no cargo e ela afirmou ao G1 que esse foi um dos momentos mais marcantes de sua carreira.

“Fiz um exame de rotina e descobri que estava grávida, não estava esperando, foi tudo muito marcante. Um misto de sensações, principalmente, de ser dispensada do trabalho. Mas nada disso aconteceu. Foi um desafio, que acabou me surpreendendo. Trabalhei até os seis meses de gestação nas ruas”, relembrou.

Para as mulheres que estão em busca de superar desafios e de se encaixar onde ninguém acredita que seja possível, Sara deixa seu recado:

“Nunca desistam de seus sonhos, tudo o que desejamos nós conseguimos, principalmente com humildade e simplicidade. Vamos em busca do nosso espaço, independentemente da profissão que exercemos, acreditando sempre que podemos tudo, porque nós podemos”.

Akico trabalha na produção de hortaliças — Foto: Cedida

kico trabalha na produção de hortaliças — Foto: Cedida

Produtora rural

A luta das mulheres para conquistar seu espaço no mercado de trabalho e a busca por uma sociedade mais igualitária é algo que vem sendo construído ao longo de anos e hoje é possível notar uma grande diferença, inclusive, na agricultura.

As mulheres deixaram de ser ajudantes e tornaram-se produtoras rurais, uma conquista que demandou e demanda muita luta.

Aos 57 anos, nascida em Rancharia (SP), Akico Sato Garcia, trabalha em um sítio que fica na Rodovia Júlio Budiski (SP-501), em Álvares Machado (SP).

Com nove anos, perdeu a mãe e teve de começar a ajudar o pai, cuidando da casa. Quando fez 13 anos, Akico viu o pai dar início ao cultivo de hortaliças para sustentar os seis filhos. A partir daí, foi aprendendo o trabalho e, desde então, atua na área.

Dos 21 aos 24 anos, Akico trabalhou como escriturária, se casou, se mudou de cidade, foi dona de casa e comerciante. Quando completou 37 anos, resolveu retornar a Presidente Prudente, para ajudar sua madrasta a cuidar de seu pai.

“Quando voltei, o sítio do meu pai estava desocupado, foi quando comecei a cultivar hortaliças e entregar no comércio”, contou a produtora rural ao G1.

Akico trabalha na produção de hortaliças — Foto: Cedida

kico trabalha na produção de hortaliças — Foto: Cedida

Ingressar na área não foi tarefa fácil, mas ela não desistiu.

“O trabalho exige muito, enfrentamos sol, fortes chuvas e frio. Esses fatores, para quem trabalha no campo, dificultam nosso dia a dia”, acrescentou Akico.

Entre as batalhas enfrentadas por ela, Akico revelou ao G1 que a mais difícil foi durante a mudança de propriedade.

“Recomeçar, até deixar tudo da forma que era antes, foram pelo menos dez anos de luta”, disse.

A produtora está há cerca de 20 anos no trabalho com as hortaliças e afirmou ser muito gratificante colher aquilo que é plantado e cuidado por ela.

“O que posso dizer para todas as mulheres é que, com amor e dedicação, nós conseguimos vencer todos os obstáculos que aparecem, com a certeza de que todo trabalho é digno. Sinto muito orgulho do meu”, enfatizou a produtora rural.

Jeniffer trabalha como bombeira há quatro anos — Foto: Cedida

Jeniffer trabalha como bombeira há quatro anos — Foto: Cedida

Bombeira

“Soldado, sentido”, não neste caso, pois aqui é “soldada”.

Atuante na estação do Corpo de Bombeiros, em Rancharia, Jeniffer Hain Martins, de 31 anos, está na profissão há quatro anos.

“Acho que nasci bombeira [risos]. Sempre tive muita empatia pela vida, não há nada mais prazeroso no mundo do que ajudar o próximo, seja quem for, vida humana, animal ou vegetal. Tive a certeza de que havia feito a escolha certa quando atuei em primeira ocorrência, onde ajudei a retirar uma senhora presa nas ferragens de um veículo. Ela apertava tão forte minha mão, como se eu fosse seu porto seguro, e me pedia para que não soltasse. Ali eu senti um orgulho imenso de pertencer ao Corpo de Bombeiros”, contou Jeniffer ao G1.

Apesar de não ser tão a atuação de mulheres na área, Jeniffer afirmou que, ao ingressar na carreira, contou com muito apoio de seus comandantes homens.

“Tive muito apoio dos meus comandantes no início da carreira. Não sofri preconceito de meus irmãos de farda. O serviço do Corpo de Bombeiros é mais braçal, devido a isso, minha dedicação é maior com meu condicionamento físico, para não deixar a desejar em nada”, falou a profissional.

Atuar na profissão sendo mulher deixa as pessoas “maravilhadas”, segundo Jeniffer.

Jeniffer trabalha como bombeira há quatro anos — Foto: Cedida

Jeniffer trabalha como bombeira há quatro anos — Foto: Cedida

“Ter representantes femininas no Corpo de Bombeiros deixa as pessoas felizes. Me questionam como fiz para entrar, outras me perguntam se consigo realizar os serviços mais pesados. Sempre respondo a todos que o maior empecilho está na cabeça de cada um, porque até onde o corpo aguenta somos humanos, depois disso somos bombeiros”, enfatizou.

Às mulheres que sonham em exercer a profissão, ou qualquer outra que pareça não condizer com seu gênero, Jeniffer deixa uma mensagem:

“A maior barreira está em nós mesmas. Somos mais capazes do que imaginamos, nunca deixem ninguém ditar a vocês sobre o que ser e o que fazer, façam por vocês, e, assim como eu, se realizem no ambiente profissional, nunca é tarde para realizar seus sonhos”.

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