http://paulooliveira.wordpress.com/2008/06/30/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-design-de-interiores-e-ambientes/,
acessado em 27/06/2012

O que você precisa saber sobre Design de Interiores e Ambientes



…e que não tinha a quem ou vergonha de perguntar. *


30

segunda-feira,

jun 2008

Posted by LD
Paulo Oliveira
 in Ambientes
& Interiores
,DesignEducaçãoMateriais
e meios
Regulamentação,Valorização
Profissional



O que é Design de Interiores?


Design de Interiores é uma evolução técnica e estética da Decoração. Com a
necessidade urbana de espaços cada vez mais detalhados e personificados aliado
aos avanços tecnológicos em equipamentos, materiais e uso destes espaços, o
profissional de decoração foi ficando para trás por não ter competência,
conhecimentos e nem habilidade técnica para projetar. Com esta nova realidade
surge então o Design de Interiores, uma área bem mais ampla e vasta com vários
segmentos onde o profissional aprende em seu curso conteúdos multidisciplinares
de Design, Arquitetura, Engenharia, Artes entre outras áreas que formam o todo.


Com esta formação o profissional está apto a realizar alterações no layout,
trabalhar gesso, iluminação, projetar móveis, trocar revestimentos enfim, tudo o
que for necessário para que o seu projeto seja inovador, contemporâneo e correto
dentro das Normas Técnicas.


Através de toda a sua carga de conhecimentos aliada às informações obtidas junto
com o cliente através de entrevistas e briefing ele tem materiais em mãos para
projetar estes espaços de forma ou a simplesmente fazer ajustes usuários/uso até
mesmo propor alterações gerais dos espaços, incluindo propondo novas aberturas
e/ou fechamentos.



O que é Design de Ambientes?


Design de Ambientes é uma nomenclatura mais ampla para Design de Interiores que,
por ranço, melindre ou vício de outros profissionais de áreas correlatas,
insistem em afirmar que o próprio nome do curso limita a área de atuação do
profissional de Interiores às áreas internas da edificação. Isso entra numa
tentativa mascarada de reserva de mercado pois os mesmos que pregam este tipo de
coisa sabem perfeitamente que um cliente dificilmente contratará dois
profissionais: um para a área interna e outro para a externa. Logo quem faz os
dois tem mais chances.


Mas em sua formação acadêmica, o profissional de Design de Interiores absorve e
aprende conteúdos que o habilitam tecnicamente para efetivar alterações no
exterior também seja em fachadas, paisagismo, eventos, etc.



Quais as áreas de atuação do Designer de Interiores/Ambientes?


Design de Interiores:


Todos os ambientes internos residenciais, comerciais, industriais, estandes, etc


Design de Ambientes:


Paisagismo, fachadas, eventos externos, etc


Transportes:


Interiores de automóveis, aviões, embarcações, etc.


SET Design:


Cenografia teatral, estúdios de foto/TV/vídeo, etc


Moda:


Desfiles, vitrines, produção de catálogos e editoriais, etc.


Games:


Produção em conjunto com os desenvolvedores dos ambientes internos e externos
para jogos.


Produto:


Móveis, acessórios, luminárias, etc


Educação:


Lecionar em faculdades e universidades, produção de textos, artigos, livros,
palestras, cursos, seminários e outros pertinentes ao Design.


Existem ainda outras áreas em que o Designer de Interiores/Ambientes pode
trabalhar. Basta você perceber os ninchos de mercado e entrar.



Qual a diferença entre “design” e “designer”?


Design é a profissão, designer é o profissional. Ou seja, você faz design e você
é um designer.


Desconfie quando ouvir um “profissional” dizendo-se design e que trabalha com
designer. Isto demonstra claramente o quão a sério ele levou o seu curso, se é
que fez algum.



O que um Designer de Interiores/Ambientes precisa saber para atuar
profissionalmente?


Dentro da formação acadêmica o Designer de Interiores/Ambientes cursa
disciplinas como:


Ergonomia


Desenho de expressão e de observação


Desenho técnico arquitetônico


Leitura e análise de projetos arquitetônicos, estruturais e elétricos


Desenho e detalhamentos de objetos (moveis, acessórios, luminárias, etc)


Psicologia humana


Acessibilidade


Cor


História da arte, arquitetura e design


Semiótica


Paisagismo


Ética


Gestão e marketing


Materiais e revestimentos


Estética


Projeto luminotécnico, hidraulico e elétrico


Normas técnicas


Entre vários outros conteúdos pertinentes.


Todos estes conhecimentos são necessários para que o Designer possa vislumbrar
todas as possibilidades projetuais e realiza-las de forma a atender e satisfazer
plenamente o cliente.


Já no âmbito profissional, o designer tem de ter conhecimentos sobre o mercado
de trabalho, sociedade na qual está inserido, parcerias e prospects entre
outros.


Apesar de saber fazer corretamente a leitura das plantas estruturais, quando da
necessidade da derrubada de alguma parede para melhorar o espaço o Designer deve
recorrer à parceria junto a um engenheiro civil que ficará encarregado desta
parte. Da mesma forma quando se fizer necessária alteração no projeto elétrico
(engenheiro elétrico) e outras situações. Isto não tem absolutamente nada a ver
com sombreamento profissional mas sim com parcerias provocadas pela própria
multidisciplinaridade do Design de Interiores/Ambientes.



O que é design de produto? Onde ele está presente no trabalho do Designer de
Interiores/Ambientes?


É o designer que trabalha com o desenvolvimento de produtos: embalagens, móveis,
eletrodomésticos e qualquer coisa usável. Já o Designer de Interiores/Ambientes,
em sua formação, aprende como se deve projetar corretamente os produtos mais
utilizados em seus projetos e que são, normalmente, a maior carga de trabalho
projetual: móveis.


Nem todos os móveis que vemos em revistas ou em lojas cabem, dentro dos espaços
cada vez mais reduzidos portanto, o Designer tem de projetar peças e mais
específicas que serão produzidas em marcenarias. Aqui também entram vários
outros conhecimentos que um leigo nem faz idéia: ergonomia, materiais,
resistência dos materiais entre outros. Há também casos de produção de
acessórios, objetos decorativos e luminárias. Por isso é importantíssima a
formação do profissional.



Como um designer cria um ambiente?


Primeiramente, é preciso que o cliente preencha um briefing – um documento
explicando o que ele quer. O briefing contém informações pertinentes ao
designer, como desejo principal do cliente, sonhos e vontades, cores que lhe são
agradáveis, fluxograma (uso) diário dos espaços, composição familiar/empresarial
entre vários outros elementos. Depois, ele junta todas as informações que ele
puder sobre o cliente, traçando um perfil psicológico/social. Após isso, o
designer faz um brainstorming ou um painél de semântica com tudo relacionado ao
assunto: imagens de móveis, imagens de equipamentos e materiais, conceitos, etc.
Em seguida, ele analisa todas as informações e começa a gerar rascunhos
alternativos de layouts. Não há nenhuma regra para o número de alternativas.
Alguns geram 3, outros geram 300. Esta é a etapa mais demorada do processo, pois
o designer precisa levar em conta todas as informações que ele juntou e todo seu
conhecimento. Quando o designer acredita que já gerou soluções o suficiente,
começa o processo de eliminação no qual ele descarta as alternativas até reduzir
até no mínimo 3 alternativas. Com isto feito, ele aperfeiçoa os esboços (em um
software, ou no papel mesmo) já com as cores que ele definiu no processo de
rascunho. Em seguida, o designer apresenta alternativas ao cliente (muitos
preferem apresentar apenas uma alternativa). Caso o cliente desaprove, abre-se
uma discussão entre os dois lados para verificação de ajustes no projeto, onde
estão os objetos indesejáveis (pontos de rejeição), pontos de acertos, possíveis
soluções, etc. Isto implica voltar à mesa de desenho e re-projetar algumas ou
muitas coisas. O processo se repete até o cliente finalmente aprovar o trabalho.
Depois ainda é aconselhável criar um manual de uso para o cliente saber como
lidar com equipamentos e materiais (lâmpadas, limpeza, etc).



Quanto um designer ganha?


Ah, a pergunta que vale ouro.


O correto seria o cliente perguntar: quanto um advogado, um médico, um arquiteto
ganha? E depois de tomar consciência disso, perceber que o profissional de
Design investiu tanto quanto qualquer outro profissional em sua formação e
carreira.


Depende muito. E esse “depende” inclui vários fatores: onde ele trabalha, em que
cidade ele trabalha, como é o cenário do design na cidade dele, quão bom ele é,
se é estágiário ou já é formado, etc.



O que é melhor: ter um emprego fixo ou trabalhar como profissional autônomo?


Muito designer decide ser freelancer (profissional autônomo) para ganhar mais.
Alguns destes ganham mais, outros não. O bom de ser freelancer é que você não
gasta dinheiro com impostos (na teoria), você define seu próprio salário, não
precisa responder a ninguém exceto ao cliente, têm horários flexíveis, etc. Em
contra-partida, o freelancer não têm carteira assinada e não pode se aposentar,
não têm renda comprovada e pode passar por um período de “seca”: aquele mês onde
você não consegue nenhum cliente novo e suas contas a serem pagas começam a
atrasar. Então depende muito de como você quer trabalhar. Freelancing funciona
para alguns, não funciona para outros. O jeito, é testar ambos e ver qual que
lhe cai melhor.



Vale a pena fazer faculdade de design?


Sim. Claro, existe algumas faculdades ruins por aí. O jeito é conhecer alunos
destas faculdades e perguntar como são as aulas, como são os professores e como
é a infra-estrutura. Existe algumas coisas que você simplesmente não aprende em
livros ou em posts de blogs sobre design na net. Experiências reais de
professores que atuam no mercado é uma destas coisas: é sempre bom saber como
que o profissional vai lidar com determinado problema na vida real. Sem dúvida,
existe muita coisa que você não vai poder aplicar na vida real devido a
velocidade em que corre o mercado do design. Mas é sempre bom saber, pois se
você acabar encontrando-se preso em algum lugar saberá como se safar usando uma
técnica que requer mais tempo porém fará com que o trabalho seja feito.
Pessoalmente, sou 100% a favor do ensino de design em faculdades. Afinal de
contas, você pode facilmente aprender a construir casas através de apostilas na
internet e livros: mas isso faz de você um engenheiro civil? Você contrataria
uma pessoa que nunca fez uma faculdade de engenharia civil para construir a sua
casa? Pense nisto.



Existe faculdade de Design de Interiores/Ambientes?


Sim, existem várias hoje em dia no Brasil.



Aqui em meu blog 
postei
uma breve relação de algumas que fui encontrando pela web em minhas pesquisas.
Não conheço todas elas porém vale ressaltar que quem faz o curso e o futuro
profissional é o próprio acadêmico quando leva a sério a sua formação.



Onde posso arranjar trabalho na minha cidade?


Primeiramente, crie um portfólio: seja online ou seja impresso. Se você nunca
fez nenhum serviço real, inclua trabalhos acadêmicos. Inclua sempre apenas
aquilo que você gostou do que fez, esqueça os seus trabalhos “medianos” e
“ruins”. Depois utilize o Google para procurar por termos como escritório de
design, loja de móveis, decoração, escritório de arquitetura e outros. Em
seguida, é só enviar o endereço do seu portfólio online ou enviar o seu
portfólio (e currículo) via correio (ou deixar lá pessoalmente) e esperar. Se
você tiver bons trabalhos e se mostrar competente, quem sabe o dono não te
chame.



Onde que posso encontrar modelos de contrato e briefing?


Este é um ponto bastante confuso pois cada região do país funciona de um jeito.


Pode parecer que não mas as características regionais influenciam na formatação
dos documentos.


O ideal é você tentar conseguir modelos com outros profissionais e ir
adequando-os às tuas necessidades profissionais. É aquele joguinho de quebra
cabeças: uma pecinha daqui, outra dali, mais outra de acolá e assim por diante
e, quando você menos esperar, terá os seus documentos prontos.



É interessante participar de concursos?


Não, e vou explicar por quê*: de acordo com o capítulo III, Artigo 12º do Código
de Ética Profissional do Designer Gráfico da Associação dos Designers Gráficos
(ADG): “O Designer Gráfico não deve, sozinho ou em concorrência, participar de
projetos especulativos, pelo qual só receberá o pagamento se o projeto vier a
ser aprovado”. Pense neste exemplo: você é engenheiro civil e um cliente entra
em contato com você e pede para que você construa uma casa para ele. Ele não diz
onde, nem quantos quartos, nem nada. Só diz “Construa!”. Mas você não é o único:
outros cinco engenheiros foram contactados e estão fazendo o mesmo. No final, o
cliente vai escolher uma das casas e pagar por apenas esta. Você, que gastou
dinheiro com mão de obra e materiais vai ficar no prejuízo. Mas e se você fosse
muito muito muito bom e fizesse a melhor casa de todas, você ainda corre o risco
de não ganhar e sabe por quê? Porque o cliente nunca falou quantos quartos
queria, se queria uma casa grande, pequena, com piscina ou sem, etc. Não houve o
“briefing”, então por melhor que tenha sido talvez não caiba nas necessidades do
cliente. Os “concursos” são predatórios e trazem prejuízos ao mundo gráfico,
então deveremos resistir e não participar!


* Na ausência de normas específicas em Interiores/Ambientes resolvi manter o
texto original. Porém ressalto que não sou contra os concursos de Design
Universitário pois acho estes uma grande oportunidade para quem está ingressando
na área e força a pesquisa no meio acadêmico de forma positiva.



Quais os softwares que o designer de interiores/ambientes precisa dominar?


Primeiramente é preciso deixar bem claro que nada substitui o bom e velho
desenho à mão.


Mas, em meio aos vários softwares disponíveis, os melhores e mais comumente
usados são:


AutoCAD (2D e 3D)


3DMax


Virtual Designer


DIALux


Estes são os básicos mas existem vários outros. O uso vai depender da
adaptabilidade do profissional à interface.

 

 


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