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O Estado de São Paulo, 20/08/2017

Os fugitivos versus o "bope" do zoológico

http://app.em.com.br/access/noticia_127983242361/893467/62/eq.gifMarcelo
Godoy

São Paulo, 20 – Há
bichos que teimam em escapar. Todo mundo no Zoológico de São Paulo conhece uma
história. Mas poucas foram as vezes que os funcionários dali tiveram de
enfrentar uma emergência como a registrada em julho de 2016. Fazia frio no dia
da fuga de macacos-prego-do-peito-amarelo da ilha em que vivem no lago principal
do lugar.

Quando perceberam a
aproximação dos tratadores, eles se jogaram na água e tentaram chegar à margem
do lago. Foi um Deus nos acuda. A debandada dos macacos está entre os 32 casos
de animais que escaparam do isolamento, do recinto ou de ilha em 2016. Todos
foram recapturados. São os macacos os principais fujões no zoo.

Antes do episódio de
2016, o grande lago com suas sete ilhas havia registrado uma outra fuga
espetacular. A única testemunha que resta do fato é Giulia, uma
macaca-aranha-de-testa-branca (Ateles marginatus). Desde 1971 no zoo, ela viu um
macaco-prego (Sapajus xanthosternos) que habitava uma porção de terra vizinha
fazer seu plano. Observar o comportamento dos cisnes-pretos (Cygnus Atratus) foi
tudo o que o bicho precisou fazer.

As aves são as mais
comuns do zoo – ao todo, existem 300 cisnes-pretos e cisnes-de-pescoço-preto no
grande lago, que abriga cerca de 600 das 1.590 aves que vivem no parque. Eles se
aproximavam da ilha e seguiam, depois, em direção à margem do lago, perto dos
recintos dos símios – chimpanzés, orangotangos e gibões. O macaco-prego olhou,
olhou e olhou.

Repentinamente, pulou em
um cisne preto e o usou como pedalinho para transportá-lo para a liberdade. Foi
outro Deus nos acuda, mas o macaco acabou recapturado. Na época, o zoo não
contava ainda com suas Equipes Táticas de Capturas (Etac), o Bope do zoológico.
Formadas por até 12 profissionais – incluindo dois atiradores, um de anestésico
e outro de abate -, elas são mobilizadas cada vez que um desses bichos foge.
“Para cada grupo de animal existe uma norma”, afirmou a bióloga Mara Cristina
Marques, coordenadora das Etacs.

Para o caso de o
fugitivo ser predador perigoso – como leões ou tigres -, a decisão, normalmente,
é a do abate para proteger os visitantes. O mesmo se aplica à única ave do zoo
que faz parte desse grupo. Trata-se da Casuar (Casuarius casuarius), um bicho de
penas pretas e azuis vibrantes, com uma cabeça em que a crista lembra a de um
dinossauro. Ela vive na Papua-Nova Guiné e tem garras afiadíssima, como as do
personagem Wolverine. Diante de uma ameaça, costuma dar saltos para atacar seu
alvo com as garras. “Nunca um animal desse grupo escapou desde a criação do zoo”,
afirmou a bióloga.

Logo abaixo desse grupo,
designado pela letra A, existe o B, que inclui grandes herbívoros, como as
zebras-de-grevy ou de damara e o cervo-dama, que ainda podem apresentar risco
para o público, mas de menor intensidade. E, por fim, há o grupo menos perigoso,
o C. É neste que se encontram os macacos-prego.

Depois de escapar uma
vez da ilha, foi necessário transferir o macaco-prego dali. “Ele podia ensinar
os demais”, disse a bióloga Flávia Taconi Campos, da Divisão de Educação e
Difusão do Zoo. O bicho foi mandado ao Zoo Safári, mas ali também começou a dar
problema. O animal descobriu que havia um ponto cego para os tratadores que
abriam e fechavam o recinto dos macacos para permitir a entrada dos carros. E
começou a escapar por ali. O fujão acabou transferido para outro zoológico.

 “Normalmente, é o homem
o principal problema. Não os bichos. São as falhas humanas que permitem que eles
fujam”, contou Mara Cristina. De acordo com ela, na maioria das vezes, depois da
fuga, os animais tentam voltar, mas não sabem como. O Zoo criou um plano de
emergência que prevê cada uma das situações. As Etacs são treinadas por meio de
fugas simuladas. Nelas, um funcionário do parque se veste de macaco e, sem que
ninguém saiba o dia ou o horário, o “bicho” aparece andando no meio do parque.

Imediatamente os homens
do Bope do Zoo são mobilizados e, com armas de paintball, caçam o bicho fujão.
Carros, rádio de comunicação, redes e câmeras – para filmar toda a ação – são
usados na perseguição. Depois, tudo é assistido para corrigir falhas. “O
problema maior é controlar o público para que ele não se exponha”, disse Mara
Cristina.


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