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A RELAÇÃO PAIS E FILHOS E A ESCOLHA PROFISSIONAL

papel dos pais no momento da escolha profissional dos filhos / por que pais devem motivar os filhos a participarem de um processo de orientação vocacional

Silvio Bock*

A relação pais e filhos é constituída, entre outros elementos, de escolhas realizadas pelos pais em função de expectativas que tem quanto ao futuro dos filhos. Os pais querem ver seus filhos felizes e isto é recheado de significados bastante distintos. Na adolescência, muitas vezes isto fica claro: o que o pais consideram o que é bom para os filhos, eles, muitas vezes, não consideram tanto assim.

A escolha do nome do filho (que traz em si expectativas de como os pais gostariam que ele seja quando adulto) e a escolha da escola são exemplos dessa construção. Qual a melhor escola para o filho? Logicamente a resposta não é igual para todos os pais que procurarão instituições que estejam de acordo com seus valores.

Colocar os filhos no judô, natação, ballet, inglês, robótica e toda a sorte de outras atividades também expressam expectativas.

Assim, na vivência das relações, primeiramente entre pais e filhos e depois de forma mais ampla na sociedade, expectativas são incorporadas pelos filhos e mais tarde, no momento da escolha profissional, devem ser retomadas e ressignificadas através da reflexão; concordando ou não com elas, servirão para a elaboração do seu projeto profissional.

Portanto a pergunta que muitos pais fazem se devem ou não interferir na escolha profissional dos filhos está mal colocada. Os pais já interferiram, ao transmitirem normas, valores, crenças que serão referenciais da escolha. Por isso, sempre orientamos aos pais, quando seus filhos vivem a questão da escolha profissional, que podem e até devem explicitar suas visões. Mas não se espere que os filhos obedeçam cegamente. Seguramente os filhos refletirão sobre aquelas posições e terão ainda mais condições de realizar uma escolha bem pensada, mesmo quando elas não estejam totalmente de acordo com as expectativas.

O que envolve uma escolha profissional?

Escolher profissão significa fazer um projeto de futuro. A escolha profissional faz parte do projeto de vida de uma pessoa. Mais do que descobrir uma vocação é a hora de olhar o passado pessoal, conhecer as profissões e o contexto social e econômico envolvido nessa decisão. É hora de decidir quem se pretende ser, o que se pretende fazer e que mundo gostaria de construir.

O autoconhecimento é parte integrante do processo de escolha. Este “conhecimento de si” se dá através da reflexão das experiências vividas. Significa pensar em como as relações estabelecidas nos vários grupos do qual participa – família, grupo de amizade, de lazer, de esporte, religioso – podem ajudar a entender como se tem sido. É também refletir sobre valores, habilidades e características pessoais; da mesma forma pensar em quem se pretende ser e aspectos dos quais não se gosta ou a desenvolver outras características que gostaria de ter.

Conhecer as profissões é outro aspecto fundamental no processo de decisão. Quanto mais bem informada a pessoa estiver, melhor será. Essa aquisição de conhecimento pode ser feita de várias formas, mas o mais adequado é que se façam todas, como por exemplo a leitura de manuais e guias específicos de informação profissional, os manuais de inscrição de vestibulares que apresentam seus cursos, entre outros. Conversar com profissionais também é interessante, ler jornais e revistas que trazem reportagens tratando direta ou indiretamente das profissões. É possível também pesquisar na Internet, apesar da dificuldade da percepção da fidedignidade da fonte de informação. A propósito sugerimos nosso site, que reúne informações sobre as profissões e assuntos relacionados: http://www.nace.com.br, e principalmente nosso programas de vídeo sobre profissões, uma parceria do nace com PUC-SP, disponibilizados na internet em https://nace.com.br/informacoes-uteis

O que observamos hoje em dia é que os jovens têm se dedicado mais ao ENEM e aos processos seletivos (vestibular) do que à escolha profissional. A ideia por trás disso é que a escolha se resolverá um dia e que o conhecimento exigido pelos processos é grande e cumulativo, e por isso não se deve perder tempo. Infelizmente essa concepção explica em parte o grande índice de evasão nos cursos superiores. O vestibular deveria ser entendido como consequência da escolha. Afinal, para que serve prestar vestibular se não se sabe o que se quer fazer, ou pelo menos que curso escolher?

Então, todos devem fazer teste vocacional?

Somos bastante críticos ao “teste” vocacional, principalmente porque pode passar a impressão que alguém pode indicar para outro o rumo que deve seguir. O principal interessado fica numa posição passiva de apenas aceitar ou não a indicação dada. O nace – orientação vocacional trabalha com atividades programadas baseadas na atividade direta e no desenvolvimento da autonomia do orientando

Defendemos que todos deveriam ter o direito de participar de programas de orientação profissional, no sentido de que, como afirmamos em nosso livro Orientação Profissional: A abordagem Sócio-histórica, “um programa de Orientação Profissional (…) deve se constituir como um conjunto de intervenções que visam à apropriação dos chamados determinantes da escolha. Estes determinantes é que levam à compreensão das decisões a serem tomadas e possibilitam a elaboração de projetos.

“A melhor escolha profissional é aquela que consegue dar conta (reflexão) do maior número de determinações para, a partir delas, construir esboços de projetos de vida profissional e pessoal. Utiliza-se o termo projeto para firmar a possibilidade da transformação/mudança da pessoa e, porque não, também de toda a sociedade na qual ela está inserida.”

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