Revista Época,
, 13/01/2011 – 14:34 – ATUALIZADO EM 14/01/2011 – 21:25
Tem
de ter atitude
Competência
e conhecimento são bons. Mas o que as empresas querem mesmo
dos recém-formados é
“personalidade”, diz uma pesquisa global
MARCOS CORONATO
ADAPTAÇÃO
Silvia
Hioka, recém-contratada como analista júnior na
Roche.Ela cursou
engenharia, mas gosta de finanças
Quem
começou a trabalhar no século
passado ouviu falar muito da necessidade de dominar um terceiro idioma,
fazer
pós-graduação ou comprovar
experiência. Quem chega ao mercado de trabalho agora
depara com exigências adicionais bem mais abstratas. Os
jovens precisam ter a
“atitude correta”, seja lá o que
signifique isso. Para complicar, enfrentam uma
impressão difundida pelo mercado de trabalho, justa ou
injustamente, de que têm
ambição demais e paciência de menos.
Uma pesquisa feita pela consultoria alemã
Trendence em 20 países (publicada com exclusividade por
ÉPOCA) oferece um
panorama mais detalhado do que as companhias querem do jovem.
Na
maioria dos países, o fator
“personalidade” é considerado mais
importante que “competências” (saber
prático) e “conhecimento”
(teórico). O Brasil é o terceiro da lista que
mais
valoriza a personalidade. Três economias gigantes e
dinâmicas, Estados Unidos,
China e Índia, destoam das demais. Dão prioridade
mesmo é para a boa e velha
competência.
As
grandes empresas brasileiras, de
acordo com o estudo, buscam jovens flexíveis (para assumir
diferentes papéis
numa organização, não necessariamente
ao mesmo tempo), capazes de liderar e
decidir (dentro de seu raio de atuação), com
facilidade para atuar em equipe,
hábeis em análise (para entender
cenários amplos), empreendedores (para criar e
abraçar projetos) e com “integridade pessoal e
ética forte”. Essas foram as
mais mencionadas entre 19 características que poderiam
contribuir para o
sucesso de um recém-formado numa companhia.
O
clamor por ética se destacou também
entre companhias da África do Sul, do México e da
Turquia, mas ela foi quase
ignorada em nações com maior
tradição de respeito à lei como
Alemanha, Bélgica
e Holanda. “Em alguns países, a ética
é assumida como padrão, nem se precisa
falar a respeito. Em outros, como o Brasil, existe o medo da
malandragem”, diz
o consultor Carlos Eduardo Dias, diretor da Asap, especializada em
organização
de processos de estágio. Os recrutadores brasileiros
consideraram menos
relevantes entusiasmo, pensamento positivo, independência,
bom-senso e atenção
aos detalhes.
É
fácil entender a busca das
companhias por profissionais flexíveis. Elas enfrentam em
sequência desafios
pouco compreendidos, como vender para o consumidor
recém-elevado à classe C,
construir uma imagem de respeitadora do meio ambiente ou negociar com
fornecedores chineses. “Nenhuma companhia, hoje, tem gente
sobrando, esperando
trabalho. Precisamos atender rapidamente às
mudanças”, afirma Maurício Rossi,
diretor de recursos humanos da Roche Diagnósticos. Mostrar
versatilidade foi
fundamental para que Silvia Hioka, estudante de engenharia na FEI,
fosse
contratada pela empresa. “Mostrei conhecimento de
equipamentos, operações,
tecnologia e também que gosto da área
financeira”, diz.
Parece
muita coisa para uma jovem de
24 anos, mas Silvia provavelmente não teria sido selecionada
se mostrasse só
qualificação técnica. A pesquisa
confirmou a preocupação das empresas de
encontrar a tal “atitude correta”, que envolveria
uma combinação rara,
principalmente entre jovens, de ambição e garra,
mas também disposição para
aprender e esperar. Entre 20 características que eles
precisariam melhorar,
destacou-se “habilidade social”. “Os
graduandos têm habilidades sociais. A
questão é se eles têm as habilidades
sociais certas. Muitos recrutadores acham
que não”, diz Caroline Dépierre,
diretora de pesquisa da Trendence.
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