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Folha de São Paulo, Imóveis, DOMINGO, 2 DE JUNHO DE 2013



CIBERARQUITETO

GUTO REQUENA contato@gutorequena.com.br

Arquitetura do medo

Sistemas de vigilância sugerem uma falsa
promessa de segurança e blindagem, negando a ideia de cidade

Fui convidado para participar do fórum on-line
da Philip Johnson Glass House, organização americana de preservação da
arquitetura moderna, respondendo à questão: Qual sua fantasia arquitetônica
brasileira e como ela se corresponde com a realidade atual?

Antes de responder, procurei as definições de
“fantasia” no dicionário. Alguns dos sentidos que encontrei são obra de
imaginação, devaneio, capricho, extravagância e traje fantasioso que se usa no
Carnaval (Michaelis). No mesmo dia, o jornal me lembrou da minha realidade, como
faz diariamente, com seus números crescentes de homicídios, assaltos,
sequestros, estupros e outras atrocidades que têm acontecido em São Paulo.

O embrulho no estômago impulsionou minha
resposta àquela pergunta. Se a arquitetura retrata os valores e ideais de um
povo, a brasileira reflete acima de tudo a impunidade e a violência cotidiana
das cidades.

Um dos estilos arquitetônicos predominantes no
nosso país pode ser definido como Arquitetura do Medo. E a estética dos
edifícios todos nós conhecemos: muros altos, grades opulentas, cercas elétricas
e arame farpado, guaritas e sistemas de vigilância que sugerem uma falsa
promessa de segurança e blindagem, negando a ideia de cidade e aprisionando os
moradores em bolhas de ilusão.

Minha fantasia? Um país sem violência,
assassinatos e roubos na esquina de casa, sem que eu precise temer pela vida da
minha família e de meus amigos.

Minha fantasia? Arquitetura sem barreiras, com
edifícios abertos para a cidade e o homem reintegrado.

Minha fantasia? Prédios que reflitam a suposta
alegria do povo brasileiro de que tanto se fala e se explora mundo afora, em
edifícios mais criativos, ousados e originalmente brasileiros. Seria isso tudo
imaginação, extravagância, devaneio, capricho ou fantasia de Carnaval?

Obs.: As discussões da Philip Johnson Glass
House são abertas aos interessados em arquitetura, arte, design e urbanismo. O
tópico com a minha resposta e a de outros profissionais como arquitetos e
designers estará disponível até o dia 11 de junho no site 
www.glasshouseconversations.org (em
inglês).

Categorias: Arquitetura

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